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A mostrar mensagens de março, 2021

Em torno de Pessoa

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     Poema que escrevi em torno de uma admirável quadra de Fernando Pessoa a propósito de um conto que estou a escrever. A quadra dele é para mim evidente qual é, visto que todo o resto do poema é uma tentativa de elevar essa quadra mais alto, só conseguindo construir um suporte que acho que não o engrandece. A quadra magnânima dele é a do moinho de café. Tudo o resto é meu, mas em torno de Pessoa, levado por ele a imaginar como poderia ele escrever outras quadras fosse não só aquela linda quadra estar sozinha. Exercício Pessoano  O alambique de aguardente Destila bagaço e faz dele ouro. O ouro líquido que não mente Que torna tudo nada duradouro.  A trituradora de tabaco   Desfaz folhas e faz dele fumo.  O fumo da memória qu’ataco  Que da treva escura exumo       O moinho de café  Mói grãos e faz deles pó.  O pó que a minh’alma é  Moeu quem me deixa só.  Absorto no Martinho da Arcada   Trago um cigarro e no meu café um cheiro  Entrevejo, ao longe, uma saia encarnada  Traço de ti, cedo

Viva a curiosidade

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    Perguntou-me uma pessoa se isto é um blog para intelectuais. Não soube responder. Disse-lhe que talvez. Acho que disse até que sim. Disse que sim porque pressupõe muitas vezes um conhecimento pré-adquirido para se entender do que falo. Talvez por causa da linguagem. Mas está aberto a todos. E haverá sempre muita coisa de que aqui falo que é transversal, que todos entendem.      Há um livro de que gosto muito do Jack London,  Martin Eden (foi recentemente adaptado a cinema), sobre um pobre coitado que resolve tornar-se escritor com todas as suas forças. Lê bibliotecas, estuda muito, debate ideias, escreve. E torna-se um intelectual. Todo o livro é uma aventura. Não me lembro bem do livro, mas assim como no romance O   Idiota de Dostoiévski, as obras de cunho muito pessoal assumem sempre uns contornos trágicos. Bem mais trágicos do que as suas próprias vidas, porque é sabido que não morrem com o livro. São poucos os que lhe dão um final feliz. Talvez porque morreu um pouco deles com

O porquê do nome deste blog

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            Míchkin é a personagem principal do romance O Idiota de Dostoiévski. Não consegui parar de o ler. Nunca mais o reli, infelizmente. Ando a adiá-lo há muito tempo porque o ofereci e nunca mais o voltei a comprar. Li aquele calhamaço em dois dias. Dia, noite e madrugada. Não parei. Míchkin é um idiota (termo neste tempo dado aos que tinham muitas ideias), tem muitas ideias e acredita nelas piamente. O problema é que ele não olha a quem as diz. Diz com a mesma ingenuidade o que lhe vai na alma ao carniceiro como diz aos seus amores.       Míchkin não deixou descendência. Daí o título. Somos nós a sua prole. Somos filhos de Míchkin. Vimos dessa linhagem dos que dizem o que lhes vai na alma. E sofremos com isso, sim. Mas dizemo-lo porque não há como não o dizer. Porque é de nós.

Uma hora de Albatross, pelos Fleetwood Mac

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Peter Green, um grande músico e guitarrista, compôs esta música. Esteve no topo das vendas durante algum tempo. Por duas vezes e em alturas distintas.