Mensagens

FERNANDO PESSOA FASCISTA

Eu que para a esquerda me pendo -- quem sabe se não há quem veja nisto dissimulação? -- nos actos, nos amigos, horrorizo-me sempre com o retrato assassino numa frase lapidar, consumada em "O Fernando Pessoa era fascista", deste grande homem FERNANDO PESSOA, vertido em génio nestas palavras aqui por baixo de onde escrevo, e aqui cá em cima quero dizer que se uma coisa nos parece bela, ela em si é bela, se nos parece sensível, é porque o é, se nos parece MAIOR, é porque nos faz olhar para o CÉU. E o Fernando Pessoa é maior e não é que era também, nisto, pessoa? Diz um gajo prosaico, o João César Monteiro, numa maneira enviesada num filme, o que ele próprio JCM queria dizer, "Quando eu subir aos céus, direi a vocês mortais: Fodam-se vocês agora que a mim não me fodem mais", cito de cor. Amigos, fodam-se vocês agora, pois Pessoa a estar num céu para o qual só pode existir se existir para pessoas como ele, nesse céu não estará a dizer nada semelhante ao que disse JCM, es...

Leah

Imagem
A minha sobrinha é linda. A minha sobrinha é maravilha. Eu amo a minha sobrinha inteiramente. Sou mais inteiro porque ela existe. Sou mais eu. Sou mais cá. Sou mais em mim. Sou mais dos outros. Se conhecerem o poema do rio da minha aldeia do Pessoa, então sabem que a minha sobrinha é como o rio da minha aldeia e que o Tejo para mim pouco importa. A minha sobrinha brinca. E palra, melhor, palavra feia aquela, ela canta. E é linda, já disse? A minha sobrinha é ternura. Vêem-se guerras, notícias escabrosas, e ela sorri e é só ternura. A ternura da minha sobrinha é misteriosa porque não depende de nada e encerra o grande mistério de não ter nenhuma razão para isso. Claro, e dizem bem, que é das coisas quando têm mistério parecerem ter razões ocultas que não conseguimos discernir. Mas há maior mistério ser só ternura e não ter razão nenhuma para isso? Ser o que é? A minha sobrinha cresce. Quando nasceu, nasceu pequena. E era a coisa mais frágil e terna. E agora está maior, porque neste dia...

ECCE HOMO NIETZSCHE

Imagem
      Incauto, escrevi uma primeira parte (1), seguida de uma segunda (2), à medida que ia lendo.     (1)     Primeiras considerações sobre Ecce Homo:      Nietzsche, nos primeiros capítulos de Ecce Homo, de títulos "Porque Sou Tão Sábio" e "Porque Sou Tão Sagaz", fazem-me lembrar a toada desta entrada de diário de Dali (um livro que não faço ideia de como me calhou em casa) que diz, sei lá por que palavras, que naquele dia Dali teria defecado fezes numa forma semelhante à de um rinoceronte, sugerindo que também ele, Dali, e não podia ser doutra forma, tinha a vitalidade de um rinoceronte, numa relação estranha entre o produtor de fezes e as fezes produzidas, ficando maravilhado consigo, cheio de orgulho, "Que rinoceronte que eu sou!".       Sustentando a comparação, no caso de Nietzsche, a fez-rinoceronte é o texto e ele o prodígio que o fez, dizendo de coisas miseravelmente triviais, como o que come, como se de...

Ânsia de Envelhecer

Imagem
Escrevi este texto que se segue como forma de agradecimento aos que compareceram ao meu aniversário em Junho, quando fiz 42 anos. Estava aqui a tentar escrever sobre o que me parece que são as ânsias de ser jovem e de ser adulto, e lembrei-me de que tinha sido bem mais claro nesse texto escrito às tantas da manhã, bem regado, depois de um dia cheio. O texto é o que se segue: Foi um prazer ver-vos conhecerem-se e encontrarem interesse uns nos outros assim como eu que já vos conheço me interesso por vocês. Sois pessoas deveramente interessantes. E agora que digo interessante assim vem-me à memória o uso que dava à palavra em criança quando queria dizer, no fundo, que alguém (ou filme ou o que fosse) o era porque me puxava mais além do meu horizonte, que estava fundado numa imensa ignorância. Sois interessantes porque me direccionam a mim e a vocês entre vocês e a nós enquanto conjunto na direcção certa. Qual é? Não sabemos. Mas já não fingimos que possamos vir a saber, como eu calculei ...

Lave

A palavra amor deve ser usada com parcimónia. A palavra love deve ser igualmente usada com parcimónia. Não devemos achar que por estar mascarada a palavra de estrangeirismo que mereça menos. Até porque em inglês até parece uma ordem. Foi assim que vi plasmada numa parede com passarinhos por cima e em tom de rosa a palavra love num bar. Coisa que muito me chateou. Até porque naquele momento o que mais me apetecia era odiar. Odiar a pessoa que teve a ideia de fazer aquilo. Porque é reservado à pessoa a altura em que ama, em que desama, porque essas alturas são delas, e ninguém tem dúvidas de que é bom amar, mas sem dúvida que quem ama sabe reservar para si momentos em que desama. Só a pessoa que tem noção do comum sabe o que tem de extraordinário um milagre. O ordinário não é amar. É muita coisa, mas não é amar. Vai mandar amar a tua tia.

Declaração de Intenções

Imagem
"A BELEZA SALVARÁ O MUNDO" Fiódor Dostoiévski, em  O Idiota