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Leah

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A minha sobrinha é linda. A minha sobrinha é maravilha. Eu amo a minha sobrinha inteiramente. Sou mais inteiro porque ela existe. Sou mais eu. Sou mais cá. Sou mais em mim. Sou mais dos outros. Se conhecerem o poema do rio da minha aldeia do Pessoa, então sabem que a minha sobrinha é como o rio da minha aldeia e que o Tejo para mim pouco importa. A minha sobrinha brinca. E palra, melhor, palavra feia aquela, ela canta. E é linda, já disse? A minha sobrinha é ternura. Vêem-se guerras, notícias escabrosas, e ela sorri e é só ternura. A ternura da minha sobrinha é misteriosa porque não depende de nada e encerra o grande mistério de não ter nenhuma razão para isso. Claro, e dizem bem, que é das coisas quando têm mistério parecerem ter razões ocultas que não conseguimos discernir. Mas há maior mistério ser só ternura e não ter razão nenhuma para isso? Ser o que é? A minha sobrinha cresce. Quando nasceu, nasceu pequena. E era a coisa mais frágil e terna. E agora está maior, porque neste dia...

Ânsia de Envelhecer

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Escrevi este texto que se segue como forma de agradecimento aos que compareceram ao meu aniversário em Junho, quando fiz 42 anos. Estava aqui a tentar escrever sobre o que me parece que são as ânsias de ser jovem e de ser adulto, e lembrei-me de que tinha sido bem mais claro nesse texto escrito às tantas da manhã, bem regado, depois de um dia cheio. O texto é o que se segue: Foi um prazer ver-vos conhecerem-se e encontrarem interesse uns nos outros assim como eu que já vos conheço me interesso por vocês. Sois pessoas deveramente interessantes. E agora que digo interessante assim vem-me à memória o uso que dava à palavra em criança quando queria dizer, no fundo, que alguém (ou filme ou o que fosse) o era porque me puxava mais além do meu horizonte, que estava fundado numa imensa ignorância. Sois interessantes porque me direccionam a mim e a vocês entre vocês e a nós enquanto conjunto na direcção certa. Qual é? Não sabemos. Mas já não fingimos que possamos vir a saber, como eu calculei ...

Lave

A palavra amor deve ser usada com parcimónia. A palavra love deve ser igualmente usada com parcimónia. Não devemos achar que por estar mascarada a palavra de estrangeirismo que mereça menos. Até porque em inglês até parece uma ordem. Foi assim que vi plasmada numa parede com passarinhos por cima e em tom de rosa a palavra love num bar. Coisa que muito me chateou. Até porque naquele momento o que mais me apetecia era odiar. Odiar a pessoa que teve a ideia de fazer aquilo. Porque é reservado à pessoa a altura em que ama, em que desama, porque essas alturas são delas, e ninguém tem dúvidas de que é bom amar, mas sem dúvida que quem ama sabe reservar para si momentos em que desama. Só a pessoa que tem noção do comum sabe o que tem de extraordinário um milagre. O ordinário não é amar. É muita coisa, mas não é amar. Vai mandar amar a tua tia.

Declaração de Intenções

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"A BELEZA SALVARÁ O MUNDO" Fiódor Dostoiévski, em  O Idiota