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Nick Drake

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  Da Vida O Canto Em criança, mais criança que sou A verdade sempre sempre tardou Já maduro em mim se debruçou  Sobre nós em manto se debruou E eu era verde, mais verde que o campo De todas as flores e do sol em espanto Agora sou sombra, sou mãe em pranto Quem me ajuda, dá da vida o canto E eu era incêndio no sol acendido Pensei ver um dia o dia acontecido  Mas sou desmaio, azul esmaecido Sou o frio do nosso amor perdido Poema meu inspirado na música Place To Be de Nick Drake.  Demasiado meu para ser considerado uma tradução.

Leah

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A minha sobrinha é linda. A minha sobrinha é maravilha. Eu amo a minha sobrinha inteiramente. Sou mais inteiro porque ela existe. Sou mais eu. Sou mais cá. Sou mais em mim. Sou mais dos outros. Se conhecerem o poema do rio da minha aldeia do Pessoa, então sabem que a minha sobrinha é como o rio da minha aldeia e que o Tejo para mim pouco importa. A minha sobrinha brinca. E palra, melhor, palavra feia aquela, ela canta. E é linda, já disse? A minha sobrinha é ternura. Vêem-se guerras, notícias escabrosas, e ela sorri e é só ternura. A ternura da minha sobrinha é misteriosa porque não depende de nada e encerra o grande mistério de não ter nenhuma razão para isso. Claro, e dizem bem, que é das coisas quando têm mistério parecerem ter razões ocultas que não conseguimos discernir. Mas há maior mistério ser só ternura e não ter razão nenhuma para isso? Ser o que é? A minha sobrinha cresce. Quando nasceu, nasceu pequena. E era a coisa mais frágil e terna. E agora está maior, porque neste dia...

Mãe

A minha mãe não se lembra de que quando se almoça vamos "almoçar", porque lhe lembra o jantar, mas não diz do jantar que se vai almoçar, porque a minha mãe janta duas vezes, e janta duas vezes porque é feita de noite e é da noite jantar, embora por vezes, quando tem mesmo de ser, se lembre de fazer um almoço, mas tem que ser um almoço-ajantarado. A minha mãe não se lembra do nome das coisas que quer nomear, por isso diz que são "coisas" as coisas que quer nomear, porque a minha mãe lembra-se primeiramente dos outros antes de nomear o que quer nomear, e pede aos outros ajuda para encontrar o que quer, porque a minha mãe é feita dos outros e é coisa dos outros saberem o que a minha mãe quer: e apenas quer o que os outros querem. A minha mãe tem a memória dos que vivem no dia e vive para onde o dia a levar, tanto podendo ser aqui ou ali, não lhe importa onde, por isso quando o dia não a leva para onde o dia vai, a minha mãe frustra-se porque é para lá. A minha mãe é pr...

Ânsia de Envelhecer

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Escrevi este texto que se segue como forma de agradecimento aos que compareceram ao meu aniversário em Junho, quando fiz 42 anos. Estava aqui a tentar escrever sobre o que me parece que são as ânsias de ser jovem e de ser adulto, e lembrei-me de que tinha sido bem mais claro nesse texto escrito às tantas da manhã, bem regado, depois de um dia cheio. O texto é o que se segue: Foi um prazer ver-vos conhecerem-se e encontrarem interesse uns nos outros assim como eu que já vos conheço me interesso por vocês. Sois pessoas deveramente interessantes. E agora que digo interessante assim vem-me à memória o uso que dava à palavra em criança quando queria dizer, no fundo, que alguém (ou filme ou o que fosse) o era porque me puxava mais além do meu horizonte, que estava fundado numa imensa ignorância. Sois interessantes porque me direccionam a mim e a vocês entre vocês e a nós enquanto conjunto na direcção certa. Qual é? Não sabemos. Mas já não fingimos que possamos vir a saber, como eu calculei ...

Saudade Que Temos (Fado)

Saudades, só os portugueses Conseguem senti-las bem Porque têm essa palavra Para dizer que as têm. Diz o Estudioso Dos livros refém "Nada há de milagroso No que 'Saudade' atém" Concluiu o tedioso "Como ela há mais cem Maneiras de saudoso Dizer que se está sem" Desdiz, irrespeitoso Ele que não vê além "O assunto é piroso É só um entretém" Saudades, só os portugueses Conseguem senti-las bem Porque têm essa palavra Para dizer que as têm. Entendo bem a dor Do cotovelo advém Mal o luso com amor Alude que a tem Já é coisa que maça Que o faça alguém Que um daqui o faça Não entende ninguém Mas seja estrangeira A pessoa desdém Têm doutra maneira O Pessoa porém Saudades, só os portugueses Conseguem senti-las bem Porque têm essa palavra Para dizer que as têm. Quadra Refrão: Fernando Pessoa As outras: Tiago Galvão Lucas

Declaração de Intenções

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"A BELEZA SALVARÁ O MUNDO" Fiódor Dostoiévski, em  O Idiota