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EVIL EMPIRE Dos Rage Against The Machine / Revy Krund

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Há nestas músicas qualquer coisa do que é ser ocidental: digo ocidental no sentido do progressista, don't give a fuck, andar de skate, comprar porcaria que não nos vai servir para coisa nenhuma, namorar alguém que a família não conhece de lado nenhum nem nunca vai conhecer, ver filmes por ócio, movimento em progressão para lado nenhum porque não há lado nenhum para onde ir, fazer desporto de ondas de praia que matam muitos, há qualquer coisa no ocidente de novo, evocadas com estas músicas, evoco a força que move a humanidade, que faz a humanidade saber quem é e ver o Tom Cruise, e que no mesmo movimento se está a lixar para quem é o Tom Cruise, esta sociedade sem Deus cujo Deus é não ter Deus, esta luz que refracta tudo o que não a compreende mas a explora mas que é Maior e é Maior porque é Livre e sabe que é Livre e vence porque Progride assim enquanto os outros a Seguem. E NISTO: estamos insatisfeitos! E o mundo não o sabe. Somos a Vanguarda de Coisa Nenhuma. E  Agora  Dizem...

Mãe

A minha mãe não se lembra de que quando se almoça vamos "almoçar", porque lhe lembra o jantar, mas não diz do jantar que se vai almoçar, porque a minha mãe janta duas vezes, e janta duas vezes porque é feita de noite e é da noite jantar, embora por vezes, quando tem mesmo de ser, se lembre de fazer um almoço, mas tem que ser um almoço-ajantarado. A minha mãe não se lembra do nome das coisas que quer nomear, por isso diz que são "coisas" as coisas que quer nomear, porque a minha mãe lembra-se primeiramente dos outros antes de nomear o que quer nomear, e pede aos outros ajuda para encontrar o que quer, porque a minha mãe é feita dos outros e é coisa dos outros saberem o que a minha mãe quer: e apenas quer o que os outros querem. A minha mãe tem a memória dos que vivem no dia e vive para onde o dia a levar, tanto podendo ser aqui ou ali, não lhe importa onde, por isso quando o dia não a leva para onde o dia vai, a minha mãe frustra-se porque é para lá. A minha mãe é pr...

Carta de José Maria À Sua Amada Joana

       Inspirado pelo heterónimo Maria José, de Fernando Pessoa, que tem única expressão numa carta ao seu amado António, escrevi eu uma carta de um tal de louco José Maria à sua amada Joana, imaginado por mim.          " Senhora Joana, Quero escrever-lhe para que saiba que sei já de antemão o que possa pensar - não foi por si que o soube, que sei não ter maldade nenhuma - e que apesar de querê-lo com todas forças, por um momento, estar perto de si, não tentarei sequer falar-lhe. Pois que devo ter ensandecido mais. Lá no pano, em casa, toda a gente diz que sou tonto. Que não tenho tino. Que sonho o impossível. E o sentido que têm eles nisto é certo, mas não gosto. Aos olhos deles sou tonto e sem tino e só sonho só agora, e isso sim me aflige, já que em nada mudei. Sendo ainda mais assim que agora a tudo isto se junta medo. Medo de que vá falar à senhora. Quero escrever-lhe e assim dizer à senhora Joana quem sou, sem lho dizer, p...