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Leah

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A minha sobrinha é linda. A minha sobrinha é maravilha. Eu amo a minha sobrinha inteiramente. Sou mais inteiro porque ela existe. Sou mais eu. Sou mais cá. Sou mais em mim. Sou mais dos outros. Se conhecerem o poema do rio da minha aldeia do Pessoa, então sabem que a minha sobrinha é como o rio da minha aldeia e que o Tejo para mim pouco importa. A minha sobrinha brinca. E palra, melhor, palavra feia aquela, ela canta. E é linda, já disse? A minha sobrinha é ternura. Vêem-se guerras, notícias escabrosas, e ela sorri e é só ternura. A ternura da minha sobrinha é misteriosa porque não depende de nada e encerra o grande mistério de não ter nenhuma razão para isso. Claro, e dizem bem, que é das coisas quando têm mistério parecerem ter razões ocultas que não conseguimos discernir. Mas há maior mistério ser só ternura e não ter razão nenhuma para isso? Ser o que é? A minha sobrinha cresce. Quando nasceu, nasceu pequena. E era a coisa mais frágil e terna. E agora está maior, porque neste dia...

ECCE HOMO NIETZSCHE

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      Incauto, escrevi uma primeira parte (1), seguida de uma segunda (2), à medida que ia lendo.     (1)     Primeiras considerações sobre Ecce Homo:      Nietzsche, nos primeiros capítulos de Ecce Homo, de títulos "Porque Sou Tão Sábio" e "Porque Sou Tão Sagaz", fazem-me lembrar a toada desta entrada de diário de Dali (um livro que não faço ideia de como me calhou em casa) que diz, sei lá por que palavras, que naquele dia Dali teria defecado fezes numa forma semelhante à de um rinoceronte, sugerindo que também ele, Dali, e não podia ser doutra forma, tinha a vitalidade de um rinoceronte, numa relação estranha entre o produtor de fezes e as fezes produzidas, ficando maravilhado consigo, cheio de orgulho, "Que rinoceronte que eu sou!".       Sustentando a comparação, no caso de Nietzsche, a fez-rinoceronte é o texto e ele o prodígio que o fez, dizendo de coisas miseravelmente triviais, como o que come, como se de...