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A mostrar mensagens de abril, 2026

Ressuscitar Num Sonho

Há pouco vi um vídeo. Era sobre um encontro de duas pessoas: entre um jogador de futebol chamado Ian Wright -- que sempre admirei -- e o seu professor, Mr. Pigden. Correu a Ian muito bem a vida profissional, e nunca voltara a ver Mr. Pigden que fora uma figura paterna e referencial. Ele reencontra-o mas tinha como certo que Mr. Pigden estava morto, tinha-lhe sido dito. É filmado o reencontro e é muito bonito. Há uns tempos, sonhei com o meu pai. E estava vivo como não está, no sonho. Fiquei incrédulo primeiro mas ali estava ele vivo. Havia uma luz à volta dele e eu fiquei assoberbado de uma alegria transbordante. Chorei de felicidade e tão convictamente que as convulsões do meu corpo me pareciam fora do sonho, cá fora na realidade, o que me foi acordando e trazendo-me para fora. E aos poucos fui acordando e o pequeno milagre que tinha ainda agora acontecido iria dar lugar lentamente a uma nova morte.  As convulsões de choro continuaram, e fui descobrindo, saindo do sonho, o que aca...

Nick Drake

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  Da Vida O Canto Em criança, mais criança que sou A verdade sempre sempre tardou Já maduro em mim se debruçou  Sobre nós em manto se debruou E eu era verde, mais verde que o campo De todas as flores e do sol em espanto Agora sou sombra, sou mãe em pranto Quem me ajuda, dá da vida o canto E eu era incêndio no sol acendido Pensei ver um dia o dia acontecido  Mas sou desmaio, azul esmaecido Sou o frio do nosso amor perdido Poema meu inspirado na música Place To Be de Nick Drake.  Demasiado meu para ser considerado uma tradução.

Música Para Um Funeral

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Sobre a Gravata

      É preciso dizer, na sociedade portuguesa, ou em todas: Que se lixem os engravatados e todos os que se aproveitam de, de tempos a tempos, a vestir. Meus amigos, não precisamos da gravata. Não precisamos dela, do preço dela, de quem a quer vestir, não precisamos de vocês. Não precisamos de doutores na televisão, título automaticamente concedido por lá aparecerem, não precisamos da pompa, não precisamos dos estudos, não precisamos das distinções, não precisamos de vocês. Não precisamos de quem põe a gravata, sem solenidade, e espera que dela apareça a solenidade, coercivamente.     A gravata, meus amigos, é um objecto, e aqui entra toda a minha rejeição deste objecto, profundamente inestético. É como um badalo num bovino. Eis o que sois, engravatados: bovinos, com a agravante de que os bovinos o são e vós não. Sois uns falsos bovinos. Sois falsos, portanto, é preciso usar da lógica.       É preciso não usar gravata e, sobretudo, ...