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A mostrar mensagens de agosto, 2024

Lave

A palavra amor deve ser usada com parcimónia. A palavra love deve ser igualmente usada com parcimónia. Não devemos achar que por estar mascarada a palavra de estrangeirismo que mereça menos. Até porque em inglês até parece uma ordem. Foi assim que vi plasmada numa parede com passarinhos por cima e em tom de rosa a palavra love num bar. Coisa que muito me chateou. Até porque naquele momento o que mais me apetecia era odiar. Odiar a pessoa que teve a ideia de fazer aquilo. Porque é reservado à pessoa a altura em que ama, em que desama, porque essas alturas são delas, e ninguém tem dúvidas de que é bom amar, mas sem dúvida que quem ama sabe reservar para si momentos em que desama. Só a pessoa que tem noção do comum sabe o que tem de extraordinário um milagre. O ordinário não é amar. É muita coisa, mas não é amar. Vai mandar amar a tua tia.

Fé

  Li numa crónica de Bénard da Costa uma ideia que me ficou demasiado redonda na cabeça e demasiado simples: a de que Deus é terrível por ser tão pouco humanamente entendível, foi assim tão pouco complexa que me ficou na cabeça. O texto era um pouco mais do que isto. Havia ainda outra ideia, que simples me ficou, de que o sofrimento humano é muito humano, e que não encontra explicação nas razões divinas. Quis depois saber porque me pareceram estas duas ideias tão fortes. Há o óbvio chutar para canto, que é tão simples como dizer que Deus é insondável, que não se rege pelas nossas razões. E atacando Deus como terrível, defende-se também do ataque as outras qualidades que atribuímos a Deus. Como dizia a minha avó "É mau como as cobras, mas tem bom coração". O que diz isto da minha avó é que também ela atacava de quem gostava, para poder depois gostar dessa pessoa à vontade. Entrava de estalada para depois defender de fazerem mal ao atacado. E que diz isto da minha avó e de Béna...