Escrevo Aqui Como Não Quero
Meado entre ser mais de mim e ser mais dos outros
Embato com toda a força na impossibilidade de ser uma coisa
E recolho-me no cobertor de todas as noites dum Inverno na condenação de ser a outra.
Li, num livro que peguei hoje, que é bom ser dos outros, ponho assim, segundo E. Sampaio e uns tantos outros com grandes propósitos
Sei que não sou, digo-me eu.
Nesse mesmo texto, falam de subverter o mal, ponho assim, sendo dos outros
Digo-me que se fosse assim, não seria a subversão em si próprio? Que considerar como possível ser ou não é em si negar que se o é?
Sou dos outros porque vivo na orla de mim. Não porque penso que é bom. Vivo assim porque é de mim.
A condenação dos outros acontece aí, no contorno, e empurram-me para o centro, que não gosta, não quer, quer sair, quer ser, quer existir, e só o consegue saindo de si.
Há todo um abismo quando eu, mágico sem truques, desloco o olhar, de mágico, para dentro. Enfeitiço-me, amaldiçoo-me.
Estou a escrever aqui como não quero, sobre assuntos que não quero. Também sentem assim? E assim, no desaforo e na pergunta, me revelo.
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