Tudo o que era poesia em mim
morreu
porque ela ma levou,
me levou.
Agora sou prático
e não se pode ser prático
e poeta.
E tudo o que tenho de imaginação
serve para me lembrar da cara dela
serve para lembrar coisas bonitas
nossas.
Tudo o que tenho de força
serve para projectar
um futuro
improvável.
Tudo o que tenho de palavras
digo-as a ninguém
senão a ela
em pensamentos-voz
que se evolam
porque não ditos, não vividos.
Sou uma música que embala a noite. Mas não a minha noite.
A minha noite tem uma noite que vai do início do dia até ao fim da noite.
Acordo de noite. Vivo de noite. Adormeço de noite.
E é uma noite triste. E é triste ser triste.
Noite, deixa que acorde num novo dia.
E que seja ela quem me acorde de sorriso.
Que sempre tem, quando acorda.
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