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A mostrar mensagens de março, 2025

Reversi

O meu pai sempre foi bondoso E sempre pensou e bem que era ilógico o mal. Lembro-me de em pequenino Estar numa salinha Pequena Na qual, lembro o meu pai Jogar no computador um jogo. Lembro-me de aprender assim com a ternura do meu pai a jogar esse jogo. E assim aprendia eu de pequenino pelo lado lúdico de um jogo o que tem de lógica a vida: O bem.

Carta de Maria José Ao Seu Amado António

A propósito do dia da mulher, deixo a carta da Maria José, corcunda e inválida, um heterónimo de Fernando Pessoa que tem a sua expressão nesta carta que escreve ao seu amado. Estou para além de comovido, estou para além de deslumbrado com o génio de Fernando Pessoa. " Senhor António: O senhor nunca há-de ver esta carta, nem eu a hei-de ver segunda vez porque estou tuberculosa, mas eu quero escrever-lhe ainda que o senhor o não saiba, porque se não escrevo abafo. O senhor não sabe quem eu sou, isto é, sabe mas não sabe a valer. Tem-me visto à janela quando o senhor passa para a oficina e eu olho para si, porque o espero a chegar, e sei a hora que o senhor chega. Deve sempre ter pensado sem importância na corcunda do primeiro andar da casa amarela, mas eu não penso senão em si. Sei que o senhor tem uma amante, que é aquela rapariga loura alta e bonita; eu tenho inveja dela mas não tenho ciúmes de si porque não tenho direito a ter nada, nem mesmo ciúmes. Eu gosto de si porque gosto d...

Carta de José Maria À Sua Amada Joana

       Inspirado pelo heterónimo Maria José, de Fernando Pessoa, que tem única expressão numa carta ao seu amado António, escrevi eu uma carta de um tal de louco José Maria à sua amada Joana, imaginado por mim.          " Senhora Joana, Quero escrever-lhe para que saiba que sei já de antemão o que possa pensar - não foi por si que o soube, que sei não ter maldade nenhuma - e que apesar de querê-lo com todas forças, por um momento, estar perto de si, não tentarei sequer falar-lhe. Pois que devo ter ensandecido mais. Lá em casa toda a gente diz que sou tonto. Que não tenho tino. Que sonho o impossível. E o sentido que têm eles nisto é certo, mas não gosto. Aos olhos deles sou tonto e sem tino e só sonho só agora, e isso sim me aflige, já que em nada mudei. Sendo ainda mais assim que agora a tudo isto se junta medo. Medo de que vá falar à senhora. Quero escrever-lhe e assim dizer à senhora Joana quem sou, sem lho dizer, pois nunca ...