Avó!
Não me lembro.
Foste
a ternura dos meus primeiros anos,
foste
foste
a ternura dos séculos,
nasceste para mim já antiga
e morreste
como a tragédia duma criança morrida cedo.
nasceste para mim já antiga
e morreste
como a tragédia duma criança morrida cedo.
Tenho saudades das guloseimas que tu me trazias! Que eram doces!
Nunca disse que eram demasiado doces. Nunca disse que não as queria.
Que preferia coisas salgadas.
Sempre as quis.
E sempre as quis porque eram teu sinónimo,
de ternura na forma de um doce doce.
Avó!
Ainda hoje como doçaria.
Como para te manter por perto.
Já não me lembro bem de ti. Nem quando vejo uma fotografia tua.
Nem quando como um doce.
Nem quando como um doce.
Não me lembro.
Já não me lembro, avó. De como te rias. De como eras terna.
Avó, estou morto. Estarei?
Estarás tu?
Estarás tu?
Avó, conseguiu a morte morrer-te?
Morro.
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