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A mostrar mensagens de junho, 2025

Considerações sobre ECCE HOMO

  Em Nietzsche, como nunca com Pessoa, não importa tanto o que se lê, importa a violenta transformação que ocorre aquando da leitura. Li ECCE HOMO e fui violentamente transformado, como não tinha sido com Pessoa. Se em Pessoa encontro uma continuação de mim, em Nietzsche sou abanado, sacudido, não sei já quem sou e, contudo, feliz em não o saber. É uma sacudidela existencial, como não podia deixar de ser o que profetiza, com os seus textos, toda uma nova forma de Homem que começa. Nisto, não pode não ser louco. Não pode não ser louco o profeta, como não pode ser o que vê num mundo de cegos. Nietzsche não é ainda o que vê, é o que diz que podemos vir a ver ver. Ele não é Zaratustra, ele circunscreve-o. Imagina-o falar, mas não é ainda ele. Não é Nietzsche que há-de ser entendido nos séculos mais adiante, que ele tanto pede para conhecer -- esses leitores que ele atribuiu, pela faculdade do tempo passado, existirem passado esse tempo --, é Zaratustra que virá a existir comummente, en...

ECCE HOMO NIETZSCHE

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      Incauto, escrevi uma primeira parte (1), seguida de uma segunda (2), à medida que ia lendo.     (1)     Primeiras considerações sobre Ecce Homo:      Nietzsche, nos primeiros capítulos de Ecce Homo, de títulos "Porque Sou Tão Sábio" e "Porque Sou Tão Sagaz", fazem-me lembrar a toada desta entrada de diário de Dali (um livro que não faço ideia de como me calhou em casa) que diz, sei lá por que palavras, que naquele dia Dali teria defecado fezes numa forma semelhante à de um rinoceronte, sugerindo que também ele, Dali, e não podia ser doutra forma, tinha a vitalidade de um rinoceronte, numa relação estranha entre o produtor de fezes e as fezes produzidas, ficando maravilhado consigo, cheio de orgulho, "Que rinoceronte que eu sou!".       Sustentando a comparação, no caso de Nietzsche, a fez-rinoceronte é o texto e ele o prodígio que o fez, dizendo de coisas miseravelmente triviais, como o que come, como se de...

Be Smart, Act Dumb

  Há uma coisa interessante nisto de saber mais do que um estúpido. Um estúpido é estúpido sempre, e nisso reside a vantagem dos inteligentes, pois podem também parecê-lo, mas não o são. Um estúpido tem um limite que vai até certo ponto onde começa o do inteligente. O estúpido não consegue ultrapassar o limite. O inteligente vai e volta. Lembrem-se disso na vida, quando estamos num aperto em que isto se justifica, porque estamos a precisar disso. Estamos numa altura predominantemente estúpida. Tiremos partido dela para nós. Para um fim nosso. Maior. Sejam inteligentes. Usem o espectro todo. Não se importem com parecer estúpidos. Como exemplo do que digo, penso em Sacha Baron Cohen. Ajam estupidamente com propósitos maiores.