Mensagens

A mostrar mensagens de janeiro, 2026

Escrevo Aqui Como Não Quero

Meado entre ser mais de mim e ser mais dos outros Embato com toda a força na impossibilidade de ser uma coisa E recolho-me no cobertor de todas as noites dum Inverno na condenação de ser a outra. Li, num livro que peguei hoje, que é bom ser dos outros, ponho assim, segundo E. Sampaio e uns tantos outros com grandes propósitos Sei que não sou, digo-me eu. Nesse mesmo texto, falam de subverter o mal, ponho assim, sendo dos outros Digo-me que se fosse assim, não seria a subversão em si próprio? Que considerar como possível ser ou não é em si negar que se o é?   Sou dos outros porque vivo na orla de mim. Não porque penso que é bom. Vivo assim porque é de mim. A condenação dos outros acontece aí, no contorno, e empurram-me para o centro, que não gosta, não quer, quer sair, quer ser, quer existir, e só o consegue saindo de si. Há todo um abismo quando eu, mágico sem truques, desloco o olhar, de mágico, para dentro. Enfeitiço-me, amaldiçoo-me. Estou a escrever aqui como não quero, so...

Dos Enfunados, Emproados e Cómodos

          Que se lixem os emproados, que vão embarcados, cómodos, que vão enfunados.  É preciso ir, incómodo. Ir, sem saber. Ir, sem aprovação. Ir. Que se lixem os que já sabem. Não saber não tem nada que ver com saber ou não saber, tem só que ver com a transição entre a maravilha e o abismo. Que se lixem os que já sabem. Na maravilha de não saber o que se segue, segue-se o abismo de saber o que se dizer, e nunca o contrário.