Sobre a Gravata

     É preciso dizer, na sociedade portuguesa, ou em todas: Que se lixem os engravatados e todos os que se aproveitam de, de tempos a tempos, a vestir. Meus amigos, não precisamos da gravata. Não precisamos dela, do preço dela, de quem a quer vestir, não precisamos de vocês. Não precisamos de doutores na televisão, título automaticamente concedido por lá aparecerem, não precisamos da pompa, não precisamos dos estudos, não precisamos das distinções, não precisamos de vocês. Não precisamos de quem põe a gravata, sem solenidade, e espera que dela apareça a solenidade, coercivamente.

    A gravata, meus amigos, é um objecto, e aqui entra toda a minha rejeição deste objecto, profundamente inestético. É como um badalo num bovino. Eis o que sois, engravatados: bovinos, com a agravante de que os bovinos o são e vós não. Sois uns falsos bovinos. Sois falsos, portanto, é preciso usar da lógica. 

    É preciso não usar gravata e, sobretudo, ter estética, ser esteta e não ser falso.

    Vejam quem a usa: tudo o que uma criança jamais aspira ser.

    Vejam quem a usa: os que jamais desaparecem e tanto deviam.

    Vejam quem não a usa: o Futuro: OU, se quiserem, as crianças. Prefiro dizer o Futuro.

    O Futuro não vos quer.

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