O Embuste Americano - American Beauty
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Tenho a dizer que a única coisa bonita deste filme é um saco de plástico a voar ao sabor do vento. E no entanto não é bonito, o filme.
Tenho a dizer que a única coisa bonita deste filme é um saco de plástico a voar ao sabor do vento. E no entanto não é bonito, o filme.
Todo o suporte desta cena é feia. Tudo é feio. Tudo é embuste, emboscada.
Torna tudo difícil, negar que há beleza num saco a voar ao sabor de vento. Como o saco, o filme é de plástico. Como o plástico que se transforma no que quisermos, também o filme é de plástico, não importa nada a forma: é de plástico, sem valor, porcaria. Mas é isso ali o que se vê? É o vento, é o vôo. E como não podemos negar a beleza do vôo e do vento, muita gente não conseguiu negar tudo o resto, que é uma porcaria. Mas como isto também digo: Assim como não podemos negar que todo o filme é uma porcaria, não podemos afirmar que é um saco a voar ao sabor do vento feio.
Digo o que digo porque tudo o que lembramos é o saco a voar. Para lembrar para o mal e para lembrar para o bem. É uma emboscada. Para fugirmos ou para lá ficarmos presos. Temos de fugir, claro. Mas sempre sabendo por que é a cilada tão bem montada. Não é o saco que nos faz gostar, que é de plástico, que é o filme. É o vento, é o vôo que é bom, que nos faz gostar, que está oculto. É uma alusão a, e agora vou ser mais lírico ainda, querermos voar, uma vontade muito nossa?
É tudo açúcar para os americanos. Põe em tudo.
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