Mensagens

A mostrar mensagens de 2026

FERNANDO PESSOA FASCISTA

Eu que para a esquerda me pendo -- quem sabe se não há quem veja nisto dissimulação? -- nos actos, nos amigos, horrorizo-me sempre com o retrato assassino numa frase lapidar, consumada em "O Fernando Pessoa era fascista", deste grande homem FERNANDO PESSOA, vertido em génio nestas palavras aqui por baixo de onde escrevo, e aqui cá em cima quero dizer que se uma coisa nos parece bela, ela em si é bela, se nos parece sensível, é porque o é, se nos parece MAIOR, é porque nos faz olhar para o CÉU. E o Fernando Pessoa é maior e não é que era também, nisto, pessoa? Diz um gajo prosaico, o João César Monteiro, numa maneira enviesada num filme, o que ele próprio JCM queria dizer, "Quando eu subir aos céus, direi a vocês mortais: Fodam-se vocês agora que a mim não me fodem mais", cito de cor. Amigos, fodam-se vocês agora, pois Pessoa a estar num céu para o qual só pode existir se existir para pessoas como ele, nesse céu não estará a dizer nada semelhante ao que disse JCM, es...

O Mestre E O Aprendiz

O mestre diz O aprendiz faz Um prediz No outro paz

Autopsicografia Geracional

____________________ A Geração finge dor Finge tão completamente Que chega a fingir dor Na que deveras sente ____________________ Não somos nós agora Apenas mais uma canção? Prodigiosa sim, embora Falha porque maldição ______________________ Resolução a coisa nenhuma Afectada de maneirismo Resposta que se quer uma Avançada sobre o abismo ______________________ E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama geração ______________________ Muda o dia muda a hora Gira, muda a presunção "Não será senão agora Que será o mundo são". ______________________ E nisto estamos nós Perdidos em dissolução Em vida até à foz Da nossa desilusão _______________________

Escrevo Aqui Como Não Quero

Meado entre ser mais de mim e ser mais dos outros Embato com toda a força na impossibilidade de ser uma coisa E recolho-me no cobertor de todas as noites dum Inverno na condenação de ser a outra. Li, num livro que peguei hoje, que é bom ser dos outros, ponho assim, segundo E. Sampaio e uns tantos outros com grandes propósitos Sei que não sou, digo-me eu. Nesse mesmo texto, falam de subverter o mal, ponho assim, sendo dos outros Digo-me que se fosse assim, não seria a subversão em si próprio? Que considerar como possível ser ou não é em si negar que se o é?   Sou dos outros porque vivo na orla de mim. Não porque penso que é bom. Vivo assim porque é de mim. A condenação dos outros acontece aí, no contorno, e empurram-me para o centro, que não gosta, não quer, quer sair, quer ser, quer existir, e só o consegue saindo de si. Há todo um abismo quando eu, mágico sem truques, desloco o olhar, de mágico, para dentro. Enfeitiço-me, amaldiçoo-me. Estou a escrever aqui como não quero, so...

Dos Enfunados, Emproados e Cómodos

          Que se lixem os emproados, que vão embarcados, cómodos, que vão enfunados.  É preciso ir, incómodo. Ir, sem saber. Ir, sem aprovação. Ir. Que se lixem os que já sabem. Não saber não tem nada que ver com saber ou não saber, tem só que ver com a transição entre a maravilha e o abismo. Que se lixem os que já sabem. Na maravilha de não saber o que se segue, segue-se o abismo de saber o que se dizer, e nunca o contrário.