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O meu pai sempre foi bondoso E sempre pensou e bem que era ilógico o mal. Lembro-me de em pequenino Estar numa salinha Pequena Na qual, lembro o meu pai Jogar no computador um jogo. Lembro-me de aprender assim com a ternura do meu pai a jogar esse jogo. E assim aprendia eu de pequenino pelo lado lúdico de um jogo o que tem de lógica a vida. O bem.

Carta de Maria José Ao Seu Amado António

A propósito do dia da mulher, deixo a carta da Maria José, corcunda e inválida, um heterónimo de Fernando Pessoa que tem a sua expressão nesta carta que escreve ao seu amado. Estou para além de comovido, estou para além de deslumbrado com o génio de Fernando Pessoa. " Senhor António: O senhor nunca há-de ver esta carta, nem eu a hei-de ver segunda vez porque estou tuberculosa, mas eu quero escrever-lhe ainda que o senhor o não saiba, porque se não escrevo abafo. O senhor não sabe quem eu sou, isto é, sabe mas não sabe a valer. Tem-me visto à janela quando o senhor passa para a oficina e eu olho para si, porque o espero a chegar, e sei a hora que o senhor chega. Deve sempre ter pensado sem importância na corcunda do primeiro andar da casa amarela, mas eu não penso senão em si. Sei que o senhor tem uma amante, que é aquela rapariga loura alta e bonita; eu tenho inveja dela mas não tenho ciúmes de si porque não tenho direito a ter nada, nem mesmo ciúmes. Eu gosto de si porque gosto d...

Carta de José Maria À Sua Amada Joana

       Inspirado pelo heterónimo Maria José, de Fernando Pessoa, que tem única expressão numa carta ao seu amado António, escrevi eu uma carta de um tal de louco José Maria à sua amada Joana, imaginado por mim.          " Senhora Joana, Quero que saiba que sei já de antemão o que possa pensar - não foi por si que o soube, que sei não ter maldade nenhuma - e que apesar de querê-lo com todas forças, por um momento, estar perto de si, não tentarei sequer falar-lhe. Pois que devo ter ensandecido mais. Lá em casa toda a gente diz que sou tonto. Que não tenho tino. Que sonho o impossível. E o sentido que têm eles nisto é certo, mas não gosto. Aos olhos deles sou tonto e sem tino e só sonho só agora, e isso sim me aflige, porque em nada mudei. Sendo ainda mais assim que agora a tudo isto se junta medo. Medo de que vá falar à senhora. Quero dizer à senhora Joana quem sou, sem lho dizer, porque nunca saberá quem sou, porque a isso precis...

Devagar Se Vai Ao Longe

Há pouco, vi um caracol. Fui embora. E voltei. Agora já não sei onde está, porque se escondeu.  Lentamente. Muito lentamente. Engraçado que quando o caracol me viu pensou em esconder-se, porque estava em perigo. Pensei, por isso, que o caracol contasse com a benevolência momentânea das coisas, mas que sabe que tudo muda num ápice. O caracol, como alguns de nós, prossegue com os seus grandes planos, independentemente da lentidão com que decorrem. Quero, nisto, ser como o caracol. 

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     Hoje, vi uma senhora, que era negra, que não por ser negra, mas que era negra, e acontecendo que era quem é, não mais do que isso, estava a ver um vídeo, que um algoritmo lhe deu como a sequência mais certa para os vídeos que tinha visto antes, que tinha como título "Dez pessoas vivem num quarto e pagam cada um 150 euros" no Instagram, num autocarro, acontecendo que eu, branco, que não por ser branco, mas que sou branco, e acontecendo que sou quem sou, não mais do que isso, comovi-me profundamente com uma fragilidade, quando esta senhora, quando viu esse tal vídeo, segurando o telemóvel com uma mão, prosseguiu com a outra contando dedo a dedo, com dificuldade, quantos eram dez. Não é o mesmo que vê-lo numa criança, porque sabemos que a criança crescerá e tornar-se-á capaz. É perigoso tentar encapsular num texto o que isto significou para mim. Primeiro que tudo, significou que eu, que sei o que são dez, não sei nada de nada sobre o que é saber realmente o que são dez....

É NA DiSTÂNCIA, OU NA MEMÓRIA, OU NA IMAGINAÇÃO QUE O HIMALAIA É DA SUA ALTURA, OU TALVEZ UM POUCO MAIS ALTO!

AS NOSSAS ENTREVISTAS O escritor Fernando Pessoa expõe-nos as suas ideias sobre os vários aspectos da arte e da literatura portuguesas. Entrevistar Fernando Pessoa não é fácil. Só é fácil entrevistar os que não pensam, os que não se importam de jogar palavras, ao acaso, atirando-as impudicamente ao vento. Fernando Pessoa, quer como Fernando Pessoa, quer como Álvaro de Campos - o engenheiro alucinado que comporta o seu segundo eu, e que aparece em toda a parte, enchendo a voz de louvores e raios para a Vida -   raios partam a Vida e quem lá ande!   -é sempre um voluptuoso do raciocínio, um amante da inteligência, podemos dizer: um criador duma nova Razão. Paradoxal? Sem dúvida. Mas há tantas maneiras de ser paradoxal! A entrevista que se segue, toda escrita por Fernando Pessoa - nem podia deixar de ser, visto Fernando Pessoa possuir uma sintaxe própria para a lógica própria dos seus pensamentos, misto de seriedade e de ironia, vai decerto prender o espírito dos leitores... Aten...

OS POETAS NASCEM, NÃO SE FAZEM

OS POETAS NASCEM, NÃO SE FAZEM! Fernando Pessoa Entre os vários preconceitos que formam a única bagagem literária com que os nossos “críticos” vão de viagem para Santarém (um conhecido provérbio ali os espera), o mais singular e inexplicável é aquele que consiste em confundir cultura com erudição. É frequente apanhar os nossos pensadores de jornal em flagrante delito de afirmações como esta — que tal criatura é culta porque tem lido muito, porque sabe muito, porque compulsou, assimilando, uma grande paginaria de livros. Ao contrário dos preconceitos da plebe legítima, que muitas vezes têm uma haste de observação, os dogmas da plebe intelectual são falsos em todo o seu comprimento. Este, que acabo de citar, é um dos mais falsos. Porque não só erudição e cultura não são a mesma coisa, como, até, são coisas opostas. Não vão julgar, decerto, que a minha explicação vai ser que é erudito quem leu sem combinar o que leu, e culto quem lê aproveitando. Eu nunca dou explicações que se possam pre...
Há uma foto em que eu estou com seis, sete anos, em que eu olho o meu pai, que era muito alto, de baixo para cima, de mãos dadas. Há nessa foto um desassombro. Eu olho para cima completamente embevecido. Eu olho para cima, e nesse gesto há um reconhecimento completo de que sou devoto àquela pessoa. Sempre fui. Nada mudou. E parece nessa foto que estou à procura do olhar dele. E na foto não aparece o que o meu pai me devolvia sempre que olhava para ele. Faço a pergunta. Quando olhavam para ele? O que vos devolvia? Gentileza? Candura? Respeito? Há dois meses, por telefone, para me parar o choro que chorei por um devaneio de que o meu pai pudesse estar morto, ele disse-me "Está tudo bem", e como não parava, "Tens a vida pela frente, porque és bom". Estranhei na altura a ligação que o meu pai fez entre ter a vida pela frente e tê-la pela frente por ser bom. Foi de imediato, sem reflectir, que ele o disse. Terá a ver com achar que só tem a vida pela frente quem é bom? O...

New Order - Dreams Never End

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Tenho, de quando em quando, uma impressão muito nítida de querer engolir o mundo, quando entra a guitarra nesta música, depois da introdução. É uma voracidade terna, uma vontade de querer fazer progredir a humanidade, com tenacidade e harmonia.

Keanu Reeves no Metro

Acontece uma coisa (!) na ideia (!) de ser famoso (!) que me chateia! O assunto é tão só uma figura que o feed do FB me dá como sendo um famoso à maneira: Keanu Reeves. E o que irrita (!) é que não lhe basta (!) ser famoso (!), tem de ser grande também entre os que são anónimos! Essa figura do famoso que quer ser famoso-anónimo é muito famosa. E só lhe traz mais fama, que se ele não a quer, então porque faz por tê-la? Tenho dito!

Poema-Jogo Com As Palavras Desenho, Desdenho e Desejo

Ó tu que me desenhas Desenha Ó tu que desdenhas Desdenha Ó tu que me desejas Deseja Mas Porque Desejaste O meu desdenho No só teu desenho? Mas Porque Desdenhas O meu desenho Que agora desejas? Mas Porque Desenhas O teu desejo No teu desdenho?

Escrevo Que Não Quero Escrever

Se este texto começasse pelo que pensei escrever de jacto, começaria por "Merda para os vindouros.". Sei que alguém o disse, mas não lembro quem. Sei também que não quereria falar dele. Agora que penso melhor, acho que é do Luiz Pacheco. Sei agora definitivamente que não quereria falar dele para dizer a frase. E assim morre este primeiro pensamento que morre em não querer falar dele. A frase é só uma exasperação. Quis mostrar-me exasperado muito porque cheguei a este editor de texto sem grande vontade de escrever. E aqui morre, com tudo isto, este primeiro texto. E renasce. Renasce na vontade renovada de querer sair desse desaforo. Não falo senão para os vindouros, porque este texto não é senão para ser lido depois de escrito. E, assim, nessa primeira frase quis matar o texto. Não saio disto. E renasce novamente, nesta ideia de morte do texto, nesta imobilidade em que me quero: Quero tirar-lhe o véu, sem me revelar. Decididamente, não quis escrever este texto.

Poema ao Jeito da Adília Lopes Caso Fosse Viva na Ocasião da Sua Morte

Morri! Morri de espanto. Porque morri. Há outro jeito de morrer?

Nu Nô

É simples é curto/grosso  O nome do amigo nu no pinto  É daqueles do surto tão nosso Em noites de vinho tinto É naqueles o porto e o troço A fuga dum labirinto

Vive Mais Sempre o Que Morre Mais

 Para um corpo ter mais brilho, tem necessariamente de ser maior o que dá de si para alumiar.   Para alguém brilhar mais, tem necessariamente de apagar o que acendeu na mesma exacta medida, e o apagamento é em si.

Liberdade. Conjunta.

 Há nisto de conceder liberdade um grande altruísmo. Acho mesmo que só um grande libertário concede liberdade antes de requisitar a sua. Falo de um amigo próximo que requisita sempre a liberdade do outro agir como deseja em prol do seu desejo. Desejo esse que é não ter desejo. Desejo esse que é assomar-se no do outro. Podia ser a anulação de si próprio, mas não se trata disso. É mais adentro, é querer encontrar no outro o desejo que julga não ter. Esta vontade só encontro neste meu amigo. Nunca encontrei noutra gente. Passa o ridículo de não decidir nada sempre para o outro decidir o que acha que ele quer quando lhe é perguntado o que ele quer decidir. É complicado. Anula-se. Mas nisto! Cria-se qualquer coisa de novo. Liberdade. Conjunta.

Ânsia de Envelhecer

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Escrevi este texto que se segue como forma de agradecimento aos que compareceram ao meu aniversário em Junho, quando fiz 42 anos. Estava aqui a tentar escrever sobre o que me parece que são as ânsias de ser jovem e de ser adulto, e lembrei-me de que tinha sido bem mais claro nesse texto escrito às tantas da manhã, bem regado, depois de um dia cheio. O texto é o que se segue: Foi um prazer ver-vos conhecerem-se e encontrarem interesse uns nos outros assim como eu que já vos conheço me interesso por vocês. Sois pessoas deveramente interessantes. E agora que digo interessante assim vem-me à memória o uso que dava à palavra em criança quando queria dizer, no fundo, que alguém (ou filme ou o que fosse) o era porque me puxava mais além do meu horizonte, que estava fundado numa imensa ignorância. Sois interessantes porque me direccionam a mim e a vocês entre vocês e a nós enquanto conjunto na direcção certa. Qual é? Não sabemos. Mas já não fingimos que possamos vir a saber, como eu calculei ...

Saudade Que Temos (Fado)

Saudades, só os portugueses Conseguem senti-las bem Porque têm essa palavra Para dizer que as têm. Disse o ardiloso Ali mesmo em Belém "Nada tem de milagroso No que 'Saudade' atém" Desdiz, irrespeitoso O que não vê além "O assunto é piroso É só um entretém" Concluiu o piroso "Como ela há mais cem Maneiras de saudoso Dizer que se está sem" Saudades, só os portugueses Conseguem senti-las bem Porque têm essa palavra Para dizer que as têm. Entendo bem a dor Do cotovelo advém Mal o luso com amor Alude que a tem Já é coisa que maça Que o faça alguém Que um daqui o faça Não percebe ninguém Mas seja estrangeira A pessoa desdém Têm doutra maneira O Pessoa porém Saudades, só os portugueses Conseguem senti-las bem Porque têm essa palavra Para dizer que as têm. Quadra Refrão: Fernando Pessoa As outras: Tiago Galvão Lucas Reparei no fim que o escrevi era um fado, deve ser memória genética da minha avó Teresa.

Estranha o Estranho

Diz o mestre: 1.⁠ ⁠A única realidade social é o indivíduo, 1.⁠ ⁠A única realidade social é o indivíduo, por isso mesmo que ele é a única realidade. O conceito de sociedade é um puro conceito; o de humanidade uma simples ideia. Só o indivíduo vive, só o indivíduo pensa e sente. Só por metáfora ou em linguagem translata se pode aludir ao pensamento ou ao sentimento de uma colectividade. Dizer que Portugal pensa, ou que a humanidade sente é tão razoável como dizer que Portugal se penteia ou que a humanidade se assoa. 2.⁠ ⁠Sendo o indivíduo a única realidade social, não é todavia o único elemento social. Esse indivíduo vive em dois meios ou ambientes — um o ambiente físico, outro o ambiente social, ou sociedade. É esse o valor do elemento sociedade — é o meio, um dos meios, em que o indivíduo vive. O sábio realismo de Aristóteles viu isto bem; e assim se assentou a tese política grega — que a sociedade existe para o indivíduo, que não o indivíduo para a sociedade. Sendo o indivíduo a única...

Sobre a Direita das Novas Certezas

     O espírito da democracia é de esquerda. Foram concessões das direitas à esquerda para não se redundar em guerras incessantes, foi o meio encontrado pela esquerda para legitimar as suas pretensões, são concessões da esquerda à direita e da direita à esquerda para não se redundar em autoritarismos. No caso português, acontece isto claramente. Quem de direita tinha também de dizer "pá" para ser ouvido. O nosso paradigma é de esquerda. E isto está a mudar. O novo punk é um miúdo de direita. A direita está na moda. Ser careta é ser de esquerda. Ser mesmo muito punk é ser chegano.      Tudo bem com isto. Os miúdos têm a resposta na ponta da língua a todas as respostas da esquerda para desmontar uma notícia. Têm sempre a resposta na ponta da língua para desmascarar sobretudo uma coisa: que a esquerda está à deriva. E que eles têm onde atracar.      E aqui é que entra o meu problema. Eu ao contrário de muita gente, estou bem a lixar-me ...

O Sentido das Coisas

Quando o silêncio da noite sublinha a noite Quando a noite escurece o dia e escureço um pouco Quando o céu acarvoado não chove e desaba depois Quando se mostram as estrelas num dia no campo  Quando a água do mar baptiza o pecado Quando o sol encarniçado aquece a pele Quando numa igreja o som é milenar e sinaliza o agora Quando chegamos a casa depois de estar fora e a casa é casa e fora é o que isso não é Quando uma palavra é palavra e Deus que era o verbo, o verbo que era Deus.  

Pão

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 Há quem pobre (de espírito) que coma só pão (de futebol).  Há quem mais rico (de espírito) que veja nisto uma coisa reprovável.  Há quem também pobre (de espírito) que não coma pão (de futebol).  Há quem rico (de espírito) e pobre (de dinheiro) que não coma pão (de futebol).  Há quem rico (de dinheiro) e pobre (de espírito) que não coma pão (de futebol).  Eu  cá  gosto  de  pão  .

Viver Inspirado

     Quero dizer que, no talento que tenho, tenho, sim, 90% de trabalho e 10% de inspiração, mas que nesses 90% de trabalho tenho deles 90% de inspiração e 10% de trabalho, e assim sucessivamente.      Viva a vida inspirada!

Pai

Hoje liguei-lhe e ele tinha o telemóvel desligado que nunca tem. E pensei que tivesse sido a morte anunciada. E liguei mais tarde e atendeu e não consegui não desatar a chorar compulsivamente. E disse-me "Não chores, eu estou bem." E como não parava disse "Tens a vida pela frente, porque és bom.". E que viesse lá jantar, que veríamos o jogo de futebol. O meu pai que me mostrou música de que gosta e de que também tanto gosto e que gosta de tanta coisa de que gosta porque é bom de gostar e como eu gosto dele por ele ser assim, tão boa gente. É tão bondoso que tenho medo que toda a bondade do mundo se esgote com o desaparecimento dele. Vou chorar um mar inteiro, se isso acontecer, ó Deus.      Nada do que possa dizer que ele diga aqui ou ali ou faça ou não diz do que ele é, porque ele é tão somente candura em pessoa, espírito sagrado, bondade pura, e é isso que é ele. O meu pai é alto em tamanho, mas é como o céu em pessoa. Por tudo isto, entendam que eu chore. A ideia...

"Convicções Profundas, Só as Têm as Criaturas Superficiais"

          O mal destes tempos parece ser o anelar geral destas gentes para resolver a humanidade num gesto, numa vida, numa centelha.           O problema não é a estátua do Churchill estar sei lá onde.           O problema não é a humanidade não estar à altura de resolver as suas contradições aqui e agora.  Não somos senão transitórios. Não tem resolução isto a não ser aceitar a transição e sermos transitórios! Não somos melhores que os nossos pais, pátrios, falhamos em não querer ser o que eles são tanto quanto nós: transitórios! Há sempre uma parte que a manta não cobre.                 Queremos nós com a nossa erudição mudar uma língua.           Deixar de lutar em guerras. Somos pela paz, mas não se encontra uma causa justa que seja? Não há nada que vos faça lutar? Não encontram guerras justas? Se há um lado injust...

Lá fora as árvores resfolegam

  Lá fora as árvores resfolegam Volto a este verso que já escrevi porque o vento é muito lá fora As árvores parecem como cavalos que não querem ser domados E o vento o espírito que as move E porque o dia parece que se repete   O céu que está cinzento e escuro Que está a prometer chuva Mas que não se esvai Parece como eu em suspenso   Há dias que suspiro por sol Céu azul Praia que não vi Coisas que não vivi   Luz, azul, vida, a calma do mar a chegar à praia   Eu e o céu suspendidos À espera de que água venha Limpar  Sarar Alimentar   Li algures que se colhe o trigo também agora É ainda só promessa de alimento  E o céu só promessa de chuva E o vento o meu espírito E as árvores falam por mim   Agora que escrevi tudo isto Quero praguejar no verso seguinte Quero escrever o que quero fazer ou quero fazê-lo no verso? Mandar tudo à fava, este texto, o verso, comigo dentro: numa coisa menos própria.   Sublimar-me e ao céu e ao trigo não era bem o...